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Trump recua de tarifas após reação da UE sobre Groenlândia, diz professora

Donald Trump recuou de sua intenção de impor tarifas a países contrários à tentativa de anexação da Groenlândia. A decisão foi motivada pela reação da União Europeia e pela forte queda da Bolsa americana após a sinalização do desejo do republicano, conforme explicou Carolina Pavese, professora de Relações Internacionais do Instituto Mauá.

Durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, realizado na Suíça, Trump afirmou que não pretende usar a força para anexar a Groenlândia, mas declarou que nenhum outro país pode garantir a segurança do território dinamarquês. O americano também mencionou ter estabelecido a estrutura de um futuro acordo relativo à Ilha Ártica, sem fornecer detalhes.

Fatores que influenciaram o recuo

Segundo Pavese, o recuo de Trump pode ser explicado por três fatores principais. "A primeira variável é uma diferença que ficou muito clara em termos do apoio político que Trump tem para essa incursão na Groenlândia, distinta daquela que ele obteve do seu próprio partido e da opinião pública nos Estados Unidos em relação à Venezuela", explicou a especialista.

"Trump surfou um pouco nesse entusiasmo da Venezuela e achou que teria essa mesma facilidade com seu plano de ocupar arbitrariamente a Groenlândia - e o que nós vimos foram manifestações muito claras, dentro do próprio partido dos Republicanos, verbalizando que se oporiam a qualquer plano", afirmou Carolina Pavese.

A professora destacou ainda que houve manifestações claras dentro do próprio Partido Republicano, verbalizando oposição a qualquer plano de compra ou invasão militar do território.

O segundo fator foi uma reação surpreendente da União Europeia, que até agora tentou trabalhar com Trump desarmando e tentando desescalar situações de conflito - isso vimos ano passado com o tarifaço, inclusive com uma tentativa de oferecer um acordo de livre comércio para os Estados Unidos", acrescentou: "Mas, dessa vez, vimos uma articulação tanto com envio de tropas para a Groenlândia quanto uma discussão de várias medidas de retaliação econômica e comercial".