Apresentado como um projeto estruturante para a integração nacional, a ferrovia prevê a ligação entre o norte, centro e sul, conectando corredores logísticos estratégicos. No entanto, até ao momento, não existem informações públicas sobre o financiamento garantido, o cronograma de execução ou quais as entidades responsáveis pela implementação da obra.
O ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, afirmou recentemente que a iniciativa se mostra viável numa perspetiva orientada para o transporte de carga, o que, segundo o governante, poderá impulsionar o comércio no país.
Contudo, para o economista Constantino Marrengula, a viabilidade económica é questionável, sobretudo no contexto atual da economia moçambicana, marcada por elevados níveis de pobreza e fragilidade do tecido empresarial. "Duvido que seja um projeto viável, pelo menos a médio prazo. Não me parece um projecto capaz de gerar retornos superiores aos custos associados. Temos cerca de 60% da população em situação de pobreza e um tecido empresarial bastante frágil", observa.
Moçambique enfrenta uma dívida pública considerada insustentável por várias instituições financeiras internacionais. Paralelamente, investimentos em setores sociais como saúde e educação têm registado constrangimentos, o que, segundo analistas, torna arriscada a aposta em novos megaprojetos sem garantias claras de retorno económico.
"Ir fazer mais uma dívida, com baixa capacidade de gerar retorno, não me parece uma escolha certa. Mesmo que o Governo consiga mobilizar recursos, dificilmente essa decisão será orientada por uma análise rigorosa de custo-benefício", diz Marrengula.
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